Escritores da Liberdade
Para alunos desmotivados e professores ansiososEm reunião ocorrida nesta semana com professores referências das turmas do segundo segmento do ensino fundamental e coordenação, discutimos sobre o caso de bebidas alcoólicas entre alunos de uma turma de 8º. ano/7ª. série, que é a mais velha na modalidade, cuja média etária é de 14 a 16 anos de idade. Muitos foram retidos por falta no ano anterior e apresentam poucas presenças neste. A desmotivação, a dificuldade na socialização entre eles, e a questão da leitura e escrita foram apontados como seus principais problemas.
A queixa predominou e a sentença foi a de rever ou transferir responsabilidades para outros órgãos ou a instituição família. E daí refletimos sobre qual é a proposta pedagógica necessária, e se havia alguma sugestão. Os alunos vão continuar na turma até o final do ano. Deste modo, é preciso pensar sobre o que provoca a desmotivação. O contexto social problemático pela violência (a)cometida, a falta de perspectivas, carências, baixa-estima etc. Por quê?
Duas passagens de Arendt (2001) nos sacodem mais um pouco e nos levam a re-olhar a realidade, pois, inicialmente para ela, há duas causas que podem ter relação profunda com a crise da educação atual: a incapacidade de a escola levar os alunos para pensar e a perda da autoridade de pais e professores.
O novo alerta é sobre a questão desconstrutiva do (in)sucesso escolar: “a educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para expulsá-las a seus próprios recursos, [ou transferir a outrem] e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum”.
Precisamos manter acesa a chama das esperanças alimentando novas perspectivas.O caso parecia se redesenhar lembrei-me do filme “Escritores da Liberdade”, pois, nada li de concreto nessa direção na “memória da reunião” que me foi repassada.
Final de ano e alunos novamente retidos e outros com promoção automática no ciclo quatro, e no próximo ano, se voltarem, como estarão? No filme, a professora sozinha se depara com alunos turbulentos, a falta de recursos e de cooperação da direção da escola.
Cada aluno escreve um diário sobre seus conflitos internos e entrega se quiser à professora e a interface com “O diário de Anne Frank”, daí decorre a tolerância entre eles, aos poucos se aproximam pelos problemas comuns. O legal é que eles produziram um livro que relata a série de dificuldades sofrida na questão racial e a necessidade de se implantar novas realidades sociais.
Penso que a discussão do filme irá acender na equipe docente da turma várias luzinhas no fim do túnel, e provocar a integração entre professores e entre eles e os alunos numa ação interdisciplinar possível e necessária para que a sala de aula faça a diferença na vida dos alunos. Erin Gruwell, a recém advogada que quis ser professora, ou carinhosamente para os alunos, a Miss G, enfrenta problemas íntimos, mas, não se deixa abater, inclusive no próprio ambiente de trabalho.
Veja um trecho do filme, logo abaixo, para re-pensar o desafio da educação que vimos enfrentando:
Fiquei bastante animada para começar a próxima semana. Durante conversa sobre o projeto pedagógico com a professora referência dessa turma, sugeri eventos comuns entre professores da turma para ajudá-los a pensar na situação vivida e percebida. Músicas, filmes, leituras etc. Encontrei esse filme em uma das prateleiras da locadora, espero que ela também tenha obtido sucesso na escolha do gênero.
Se você sabe de algum outro que trate dessa temática por gentileza estamos precisando dessa ajudinha. Se passou por uma experiência semelhante aqui estamos nós para ouvi-la.
Uma pergunta não quer calar:
- Por que "Miss G" fez a opção pela profissão "professora"?
Referência: ARENDT, Hanna. A crise na educação. In: Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 2001.
